quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Promessa de vida.

Decididamente, há uns meses atrás, questionava-me vezes sem fim do porque de eu não me conseguir mentalizar da verdadeira realidade.



E… PORQUÊ? As pessoas afastavam-se, deixavam-me para trás, a vida apoderava-se dos meus sentimentos, mudou as minhas soluções, as minhas verdades, trocou tudo de lugar sem pedir permissão, e é isso mesmo o que doía e continua a doer. Não é por acaso que estou a escrever este texto neste momento, porque quando me tento levantar e segurar, é quando sinto o chão a fugir dos meus pés. Só me apetece fechar os olhos, procurar através do cheiro conhecido a presença dela, o toque, a pele, o corpo dela, e acomodar-me no colo dela. Amassar as pernas dela com o meu cabelo, cobrir o seu traje de anjo com os meus cabelos castanhos e mais uma vez respirar o cheiro dela. Sempre com os olhos fechados, levo a minha mão a passar na sua pele, tentar reconhecer a sua textura, a sua cor e tentar ver dentro de mim a cara dela a sorrir para mim quando eu brincava com ela… Tento me lembrar o máximo que eu puder dos últimos abraços, beijos e sorrisos que lhe dei, até mesmo da última lágrima, tudo no mesmo dia em que ela decidiu partir. Algo estava errado e continua errado na minha vida. Existe um grande, muito grande buraco que nunca vai ser preenchido e que cada vez se torna mais fundo e eu sinto-me como se fosse uma margem dele, o seu abismo. Não queria, nem deveria sentir tal coisa, mas esta solidão consome me, uns dias mais do que outros. Isolar-me, agarrar o meu próprio corpo começa a não chegar, mas continua a não ser a solução de virar as costas à realidade. Tornou-se uma realidade que eu não consegui segurar nas minhas mãos e hoje, brinco com ela entro os dedos e os traços da palma da mão. E eu prometi… e vou cumprir.

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